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Em “Segredo”, TUSP usa relatos pessoais para ir a memória.

Para o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875 – 1961), a posse de um segredo pode equivaler a um “veneno psíquico” que afasta o indivíduo da coletividade, o atrai para a sombra.

Quem lembra disso é o diretor e terapeuta Abílio Tavarez, do Teatro da Universidade de São Paulo, o grupo TUSP. Ele fala sobre “Segredo”, espetáculo que estréia hoje, para convidados, no teatro do mesmo nome, na Vila Buarque.

Como em “Interior” (2002), o depoimento pessoal sustenta a dramaturgia, também arrematada por Tavarez. Dezessete atores compõem fragmentos de situações vivenciadas durante um ano e meio de ensaios. Violência contra a mulher dentro de casa, abuso sexual na infância, tentativa de suicídio, fantasias sexuais, em fim, são narrativas envoltas em sensações, imagens e desejos de amor, fé, solidão, esperança etc.

Durante a pesquisa, o elenco foi acompanhado por seis profissionais na área de psicologia. “Myriam Muniz (1931 – 2004) dizia que teatro é terapia, não é tratamento. A técnica terapêutica é utilizada como as demais ferramentas de apoio no processo de criação. O objetivo é o teatro. A proposta não é fazer teatro ” terapêutico “, diz Tavarez, 42.

O diretor vislumbra a transformação dos seus atores por meio da “compreensão e expressão artística de seus sentimentos, traumas e afetividades”.Essas camadas da memória são trazidas a cena não necessariamente pelos seus verdadeiros donos. Um ator da conta da historia do outro. Curiosamente, procura-se preservar o anonimato num projeto cuja premissa é a exposição.

Segredo
De Abilio Tavarez. TUSP.
Rua Maria Antonia, 294 - Tel: 3255-5538. Censura 14 anos
Sexta e Sabado, 21 h; Domingo, 20 h. R$ 15,00. Até 26 de Junho.

Jornal Folha de São Paulo - 30/03/2005
Valmir Santos

 
 
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