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Mulheres abiloladas
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O maior prazer ao assistir “Luluzinhas”
é, sem dúvida, a divertida atuação de
Lulu Pavarin e Guta Stresser. E de Mel, Mila, Gisela e Roberta.
Elas improvisam, deitam e rolam em cima do texto de Emílio
Boechat, escrito em 2001. De lá para cá, Emílio
e o diretor César Ladeira enfrentaram muitas dificuldades
para conseguir montar a peça. Vindos da publicidade, o estilo
da dupla é rápido e direto.
Os esquetes mostram as garotas como comissárias de bordo
nervosas, freiras abiloladas, jogadoras de futebol estressadas,
atrizes pornôs empolgadas, freqüentadoras de shows de
strip tease bêbadas. E o melhor vem no final: com a ajuda
da psicoterapeuta Helena Martins, as personagens aparecem na versão
infantil, investigando o passado de cada uma delas. Quando as Luluzinhas
se reúnem, é uma festa: o público ri muito
porque se reconhece nelas.
Tem a criança evangélica, a lésbica, a desbocada,
a carente/medrosa, a princesinha. A bandalheira criada é
infernal e hilariante! O trabalho das atrizes é muito bom,
e o espetáculo parece um parque de diversões. Brincando
com estereótipos, Boechat mostra que tem muito carinho por
todas elas. Em sua peça anterior, “Tudo de mim”,
ele analisava o cotidiano de uma relação amorosa entre
um homem e uma mulher. “Luluzinhas” se concentra nos
tipos femininos, e o olhar do autor é de curiosidade e encantamento.
Lulu Pavarin é uma atriz fabulosa: tem um despudor e um deboche
deliciosos. Guta Stresser é muito versátil (sua performance
dramática em “Mais perto” era sutil e delicada)
e arranca gargalhadas sonoras da platéia quando faz a bêbada
e a criança superstar, de ego gigantesco. Os vídeos
de JR Alemão comentam toda a história da mulher moderna
com muito humor, em edição nervosa/videoclípica.
No final, após os aplausos, os espectadores que foram alvo
de algumas brincadeiras receberam presentes. “Luluzinhas”
é isso: muita diversão, porque o espectador brasileiro
adora comédia. Nestes tempos bicudos de crise econômica,
a peça de Emílio Boechat é um antídoto
para o mau-humor.
Alberto Nishitani - 13/09/2003
alberto@teatrochik.com.br
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